[Empreendedorismo] Porquê não consigo fazer a lâmpada ascender?



Estive pensando estes dias… Porque tantos sonhos morrem na praia? Porquê tanta gente talentosa deixa de acreditar que é bom o suficiente em algo que lhe traria satisfação e dinheiro e passa boa parte da vida insatisfeito com a rotina, com o trabalho, mesmo com aquela pulga pendurada na orelha e berrando que deveria estar fazendo algo diferente?

Entre nesta linha de raciocínio comigo: Existe algo que nos instrui a como se comportar e se comunicar de forma igual em nossa comunidade, chamamos isso de “cultura”. Há coisas que automaticamente fazemos e não justificamos o porque de fazermos de tal modo, sabemos apenas que fazemos assim aqui e que do outro lado do mundo pode ser que façam diferente por ser uma questão “cultural”. Não sabemos quem criou, mas fomos ensinados assim e estamos sempre prontos para corrigir quem pensar ou fizer ao contrário. Percebe que tem coisas que fazemos automaticamente e nem lembramos de quem colocou isso na nossa cabeça? Pois é! Aí que mora a treta. Nossa geração está treinada para buscar uma certa “aceitação comunitária”. Tudo o que fazemos tem o intuito de atingir as pessoas que posso ver ou podem me ver neste exato momento. Isso só se fortificou com o alto uso das redes sociais e a “cultura” que se desenvolveu junto dela. “Eu só crio um conteúdo no meu instagram que aqueles seguidores que tenho devem curtir ou então só crio um produto ou serviço que o meus amigos ou conhecidos devem gostar”.

A questão é a seguinte: Buscamos a aceitação ao nosso redor e depois pensamos no mundo.

Mas pessoal, e o resto do mundo?

Vejam nas rodoviárias, terminais, aeroportos, nas capitais… a quantidade de gente que existe no mundo que você nunca viu na vida e tenha a certeza que ao menos uma pequena porção dela pode se interessar pelo seu produto ou serviço. Você deixa de abrir um lava rápido pois sabe que num raio de 5 casas pro lado da sua não tem carros ou as pessoas que te conhecem não se interessariam em lavar contigo, mas e o pessoal da rua de baixo? E os possíveis clientes do bairro de baixo a hora que souberem que abriu um novo lava rápido de qualidade e ainda muito mais próximo do que ir ao centro como faz habitualmente? E se as pessoas dos outros bairros que também costumam levar o carro ao centro para lavar, souberem do seu negócio e qualidade e prefiram levar para você também?

Portanto: seu networking atual não é o que provavelmente vai te fazer chegar lá. O volume e a riqueza mora em todo o resto do mundo que ainda não te conhece e está ansioso para receber a oferta do seu produto/serviço.

Existe uma outra questão: esperar apoio e aceitação de amigos para tudo

Amigos vão te apoiar se precisar pintar uma parede, fazer mudanças, mas as ideias e o sonho é somente seu. Eles talvez nem trabalhem no mesmo ramo, nem tenham ideia sobre o que você esteja falando ou até mesmo qual seja o seu público alvo, mas o papel do amigo não é ser seu cliente e sim, ser seu amigo. 

Bora desenhar? Imagine que o apelido do Steve Jobs fosse “Rôia” na época da escola. Todos sempre conheciam o “Rôia” como o moleque zoeira da classe, fazia piadas na sala, matava aula e todas as demais presepadas que podem ressaltar a moral do jovem colegial.

2 anos se passam após o término do ensino médio e nosso amigo “Rôia” tem uma de suas brilhantes ideias em criar um treco chamado iPhone, que é um aparelho com inúmeras funções e coisas que eram impossíveis na época. Se fosse ofertado para qualquer um dos colegas que conhecia ele na época da escola, certamente achariam que se tratava de alguma presepada para tirar dinheiro ou algo do tipo, afinal, a visão que predominava dele para estas pessoas ainda era aquela anterior. Mas, vestindo a camiseta de Steve Jobs e não do “Rôia” ele soube á quem deveria oferecer sua ideia e a quem o peixe deveria ser vendido. Muito depois que todo o resto do mundo e os jornais ressaltassem sua qualidade, seus amigos de fato aceitariam que o “Rôia” realmente se superou e criou algo “digno” de que pudesse merecer seu dinheiro. A prática diverge e muito da nossa teoria cultural e isto não é o fim do mundo, é só o começo.

Deste modo, entenda que buscamos aceitação continua mas o mundo não se resume naquilo que podemos ver hoje. Para seu redor talvez não faça sentido sua ideia, mas existe sempre um morador da rua de baixo esperando surgir um produto ou serviço que você faz ou vende como ninguém.

Espero que faça sentido para você 💥

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