A TEORIA DO JORNAL IMPRESSO
O que mais me ajudou na caminhada nos últimos meses foi a “teoria do jornal impresso” que eu mesmo que criei na minha cabeça.
Ainda na
minha infância, lembro do motoboy jornaleiro do Cruzeiro do Sul que passava
pela manhã demonstrando sua habilidade em acertar o jornal na varanda. Lembro
inclusive que em dias de chuva o jornal vinha dentro de um plastiquinho. Na
manhã nos inteirávamos do que estava acontecendo no mundo a fora enquanto tomava
o café. A edição se fechava pela madrugada então a novidade vinha
"fresquinha". A gente via na manchete aquilo que era relevante em
demasia e as vezes se pegava até lendo comentários aleatórios de leitores e
piadas em algumas páginas no meio do jornal. Uns classificados, umas pessoas
que morreram e umas promoções no mercado. No fim do café a informação se
acabava e então partia para o trabalho. O jornal já não se passava de um papel
usado que ganharia outra utilidade principalmente quando fosse pintar a casa ou
precisasse amadurecer abacates. No domingo vinha de bônus o Cruzeirinho para
alegrar a criançada que sempre estava em casa. Se sentisse saudade, o telefone
tocava, pagávamos cada minuto falado então o valor de se ouvir uma voz do outro
lado era ainda mais preciso. E a tecnologia apareceu, facilitou muito nossa
vida, mas vejo que talvez perdemos a mão da moderação.
Nas redes
sociais estampam repetidamente sintomas de sérios problemas para que você possa
tentar confortar seu subconsciente de que está perdendo tempo, porém ali é um
ambiente sério que aborda sobre isto também. "Ah, eu tenho problema de
procrastinação", "Eu sou distraído pq li que tenho TDAH, eu nem sei o
que é isso, mas li que devo ter isso".
Redes sociais
são programadas não só por desenvolvedores, mas também por mestres da psicologia
com a intenção real de te prender por lá o maior tempo possível e a hora que
você menos percebe já está imerso e dependente. Não é algo profundo e preciso
que fiz, mas peguei algumas informações de estudos já realizados em 2018 pela Nielsen
de que trabalhadores industriais (que geralmente não tem acesso ao celular
durante o dia) são menos dependentes da rede social do que o pessoal do
comércio e escritório (que geralmente tem acesso ao celular durante o
expediente). Ou seja, parece que quanto mais você usa, mais dependente você
fica. Assim como uma droga. Em uma fonte mais atual e segura da Comscore, dizem
que o brasileiro passa cerca de 46 horas por mês em redes sociais.
Mas enfim,
onde quero chegar com isso?
Hoje foco bastante em criar conteúdo e consumir pouco. Nem tanto para rede social, alias aqui só posto asneira na maior parte do tempo, mas nos projetos e fóruns que ajudo pessoas a mudarem de vida. Principalmente no intervalo de grandes decisões permito gastar algum tempo vendo coisa aleatória e a vida dos meus amigos, mas graças à Deus isso tem diminuído a cada vez mais, falando isso me sinto um integrante do VRSA - Viciados em Redes Sociais Anônimos, mas entenda de uma vez por todas, você não precisa ser bombardeado de frases motivacionais a todo momento para saber o que precisa ser feito e que decisões precisa tomar na sua vida, não precisa comprar cursos do cara que falou bonito e te ganhou na lógica, afinal se você estiver imerso nas redes, deve estar se sentido improdutivo e obviamente é fácil te vender um produto prometendo te tornar mais ágil e inteligente ; você não precisa saber o que está rolando no mundo em tempo real, o que os políticos falaram de absurdo a 10 minutos atrás, não precisa saber onde seus amigos estão almoçando, o que estão pensando. Saiba que assim como o HD do seu computador, toda informação que você lê é absorvida e guardada em algum espacinho na sua cabeça e se você se permite se bombardear disso a todo momento, sempre vai se pegar sentindo improdutivo, incompleto ou até mesmo infeliz.
Uma dose de notícia por dia é mais que o suficiente. Se for importante e você não receber a mensagem do WhatsApp, vão tentar te ligar. Se a notícia que o jornal postou chegar somente amanhã, não vai mudar absolutamente nada negativamente na sua vida.
Entenda que
não é a era da tecnologia que estamos vivendo, é a era do imediatismo e ela vai
te conduzir a querer adiantar tudo na sua vida, inclusive o inevitável. Nós
bebemos a água da ansiedade a todo momento.
Seja você o protagonista de sua vida, retome
suas raízes, tudo o que aqui circula é artificial. Existe um mundo gigante lá fora para
você conhecer que nenhuma câmera 8K HD 3D do mundo vai conseguir reproduzir
para você nos mesmos moldes. Ainda.
Nem tudo é o que parece e mesmo que seja, se pensar bem, verá que não agrega nada em sua vida.
Sobre a crescente dos solteiros frustrados: Lembre que mundo não se resume em quem te segue ou quem trabalha com você, não existe só um cardápio no mundo e este é o seu redor atual e não o universo em si. O planeta é gigante e tenha certeza de que em algum canto dele a pessoa que realmente vale a pena fazer esforços para impressionar talvez esteja também esperando pela recíproca e verdadeira. Aí você se pega várias vezes no dia totalmente frustrado porque a pessoa aleatória que você achou bonita ou simpatizou de forma unilateral não dá bola e faz pouco caso das suas mensagens. Tem expectativa que morre logo no primeiro “Oi” e outras que morrem no dia seguinte antes da entrega do jornal.
Viva sua vida evitando ser marionete. Seja peça e não jogador.
Absolutamente nunca é tarde para ressuscitar.
A notícia vir somente no dia seguinte não significa atraso, pode ser a garantia de um novo café.
Se precisar trocar idéia, chama o Braia. Tmj!

Genial! Precisava ler isso
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